Talmidim

TADEL — Comunidade Batista da Paz — Viçosa/MG, 02/05/2017 Por Moisés Paes Sena

Introdução

Meu objetivo não é esgotar o assunto, nem mesmo ser expositivo. Pretendo ao longo desse artigo trazer um pouco mais de luz sobre o discipulado nos dias de hoje à medida que compreendemos algumas passagens das Escrituras e suas relações. Esse material tende a ser mais prático que o profundo estudo em si. Importa-me que pessoas comuns compreendam o verdadeiro sentido do discipulado e comecem e imediamente a praticá-lo.

Texto Base

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11.28-30)

Não conseguiremos compreender o significado desse texto se não voltar no tempo de Jesus e observarmos atentamente as palavras de nosso mestre e como o judeu, desse tempo, entendia essas palavras. Por essa razão veremos não apenas o valor dessas palavras no tempo de Jesus, mas também, ao longo das Escrituras. Examinaremos além dos dias de Cristo pela simples razão que essa não é uma ideia nova, mas toda a Escritura está recheada dos ensinos de Jesus revelados nesse texto.

O discipulado na cultura Judaica

A mera tradução da palavra TALMIDIM (talmid, s.) não é suficiente para esclarecer sua relevância nos dias de hoje. Precisamos conhecer sua história e seu contexto mais remoto para sabermos exatamente o que ela significa.

Na Galiléia do tempo de Jesus, os meninos em Israel iniciavam seus estudos da Torah aos 6 anos de idade. Aos 10 anos já tinham a Torah decorada. O ensino era geralmente oferecido por um rabino nas sinagogas. A partir dos 10 anos de idade, quando encerravam os estudos na escola primária (Beit Sefer) apenas os melhores e mais destacados alunos eram selecionados para a escola secundária (Beit Talmud). Os meninos que não prosseguiam os estudos eram ensinados na profissão da família. Os que haviam sido selecionados para dar seguimento aos seus estudos, aos 14 anos já sabiam de cor todas as Escrituras: além da Torah (a Lei de Moisés, composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia, chamados de Pentateuco), também os livros históricos, de sabedoria e todos os profetas. Com essa idade eram também iniciados na tradição oral, a sabedoria dos rabinos acumulada ao longo da história de Israel, e passavam a discutir as interpretações e aplocações da Lei de Moisés. Aos 14 e 15 anos, somente os melhores entre os melhores estavam estudando, geralmente aos pés de um rabino famoso e respeitado. Esses pouquíssimos meninos da elite intelectual de Israel eram chamados talmidim (trad. discípulos).

Os rabinos daquela época se distinguiam na maneira de interpretar e ensinar como aplicar a Lei de Moisés. Cada rabino possui seu conjunto de regras e interpretações. Por exemplo, discutiam o que poderia ou não ser feito para guardar o shabat. Esse conjunto de regras e interpretações era chamado de o jugo do rabino. Hillel e Shamai, por exemplo, eram dois rabinos famosos no tempo de Jesus. Cada um deles tinha seus talmidim, e muitos seguidores que se colocavam sob seu jugo.

A relação entre um rabino e seus talmidim era intensa e pessoal. Em Israel havia uma recomendação aos talmidim: “Cubra-se com a poeira dos pés do seu Rabi”. Isso significava que um talmid deveria observar tudo quanto seu rabino dizia, fazia e a maneira como vivia, pois sua grande ambição não era meramente saber o que seu rabino sabia, mas principalmente se tornar semelhante ao seu rabino. Enquanto o rabino ensinava sua interpretação da Lei e vivia como modelo aos olhos de seus talmidim, cada talmid fazia todo o possível para em tudo imitar seu rabino de tal maneira a que se tornasse igual a ele.

O conceito de talmidim é um dos mais fundamentais do Novo Testamento.

Jesus, o Cristo de Deus, escolheu o sistema rabino/talmid para se relacionar com os seus seguidores. Assim como os rabinos de sua época, Jesus também chamou seus talmidim. Com três diferenças:

A primeira, é que Jesus criticou os rabinos seus contemporâneos, afirmando que colocavam um jugo pesado demais sobre seus seguidores, e que eles mesmos não conseguiam suportar. Eram rabinos do tipo “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”. Jesus, além de viver de modo absolutamente coerente com seu ensino, oferece descanso aos talmidim dos outros rabinos, que viviam cansados e sobrecarregados, e promete aos seus talmidim “um jugo suave e um fardo leve”.

A segunda diferença é que os talmidim em Israel eram meninos extraordinários, uma elite intelectual e privilegiada. Mas Jesus convida a todos, indistintamente, para que se tornam seus talmidim. Pessoas comuns, como você e eu, podem seguir a Jesus e viver sob a promessa de que um dia se tornarão exatemente iguais a ele. Jesus ensinou aos seus discípulos em três anos de intensa convivência.

A terceira diferença é que Jesus usa o termo aprendiz (grego mathetes) (Lc 6.40, Mt 28.19, Mt 5.1, Jo 8.31 etc), que diferencia significativamente de significado do hebraico talmud. É tentador enxergar na escolha da palavra uma oposição deliberada ao sistema inteiro dos escribas. O talmid das escolas dos Rabinos é principalmente um aluno. Seu propósito maior é de dominar o conteúdo da Lei e a tradição oral. O produto final das escolas dos Rabinos eram peritos perspicazes e advogados competentes. A vida de um talmid como talmid consistiu no estudo das escritas sagradas, freqüência em aulas, e o debate de passagens ou casos difíceis. O discipulado como Jesus o concebeu não era uma disciplina teórica como esta, mas, um trabalho prático para o qual os homens foram chamados a se dedicarem com toda sua energia. Seu labor não era o estudo e sim a prática. Pescadores deviam tornar pescadores de homens, os camponeses seriam trabalhadores nas vinhas de Deus ou na colheita de Deus. E Jesus era o mestre deles, não tanto como um professor de doutrina correta, porem, mais como um mestre-artesão a quem eles deviam seguir e imitar. O discipulado não foi a matrícula num Colégio rabinico mas a vida de aprendiz na obra do Reino. Pode ser acrescentado que há algo apropriado na escolha do termo “aprendiz” ao invés de “aluno” como nome para os discípulos de Jesus, quando nós lembramos que o próprio Mestre foi criado como um simples carpinteiro numa aldeia e a maioria dos seus discípulos trabalharam com suas mãos. 1

(Fonte: Ed. René Kivtz — Talmidim Reflexões diárias, com adaptações por Moisés P. Sena)

A relação entre mestre e discípulo nas Sagradas Escrituras

  1. O mestre elege o discípulo, o maior abençoa o menor:

    1. Israel (Jacó) escolhe Judá como portador da semente messiânica (Gn 49).
    2. Deus diz a Moisés que ele deveria ungir a Josué para ser seu substituto (Gn 31.7).
    3. Deus diz a Elias que ele deveria ungir como seu substitudo (1Rs 15.19-23).
    4. Jesus ora toda uma madrugada antes de escolher seus discípulos (Lc 6.12).
  2. O discípulo anseia ser como seu mestre e o mestre anseia fazer um discípulo que o substitua.

    O discípulo não está acima do seu mestre, mas todo aquele que for bem preparado será como o seu mestre. (Lc 6.40)

    Este é um provérbio geral apesar de trazer em si uma verdade. A verdade é que o mestre só pode levar o discípulo até onde ele está, o que equipara ao pastor de ovelhas, onde as ovelhas vão junto dele, ele não as toca adiante, mas ele vai adiante e elas vão atrás ou ao seu lado ou ainda, em seus braços.

    Esse provérbio apesar de expressar uma verdade, seu sentido não deve se aplicar ao resultado final do discipulado.

    1. Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai. E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. O que vocês pedirem em meu nome, eu farei. (João 14.12-14)

      Cristo libera autoridade tal sobre seus discipulos pela qual eles são capazes de superar alguns de seus feitos. Reconciliar Deus o homem com Deus não pode ser superado, apesar de Ele também dar aos seus discípulos o ministério da reconciliação, sem dúvida este não pode ser superado. Mas o número de sinais, inclusive ressurreição através de seus apóstolos superou o do Mestre.

    2. O apóstolo Paulo começou seu ministério orientado por Barnabé (Atos 9:27). No início, Lucas relatou o trabalho dos dois citando primeiro Barnabé (Atos 11:30; 12:25; 13:2, 7), mas, à partir de Atos 13:43 começamos a notar que Paulo é citado cada vez mais primeiro (veja 13:46, 50; 14:1). Embora Lucas troca a ordem outras vezes, fica evidente cada vez mais que o ministério de Paulo vai ultrapassar em muito o de Barnabé. Paulo também foi discípulo de Gamaliel. Do ponto de vista dos fariseus, pode até parecer que ele regrediu em relação ao velho mestre. Mas, no âmbito do Reino, é evidente que Paulo mais uma vez superou o alcance de seu velho professor. Portanto, o ditado, como todo provérbio em si, é verdadeira na maioria das vezes. No entanto, há exceções. 1

  3. É uma relação de um aprendiz com um mestre artesão

    O ensino do mestre, a modelo de Cristo, está focado no estilo de vida, e não no intelecto. É claro que o discípulo de Cristo é levado um desenvolvido intelectual, extraordinário. Todavia, isso é o resultado de uma vida de devoção e imitação ao modo de viver de Cristo e, não é mera expansão da capacidade intelectual, pois tal sabedoria é uma ministração de verdades eternas por meio o Espírito Santo ao intelecto do homem. (At 2, 8.9-10).

  4. É uma relação de arqueiro e sua flecha (Sl 127).

    1. Onde Moisés parou Josué avançou. Quem foi Josué? Josué foi o servo de moisés desde sua juventude.
    2. Onde Elias parou, Eliseu avançou. Eliseu fez o dobro de sinais que Elias, seu, mestre, seu pai.
    3. O ministério de Jesus foi em Israel, os discípulos foram aos confins da terra.

    Sim, discípulos são filhos espirituais, são a herança de Deus para seus servos fiéis. Os discípulos vão levar o legado e o ensino de Cristo e o exemplo de seus mestres adiante.

  5. Tornar um discípulo é um privilégio, não uma obrigação. Todo discípulo deve encarar o discipulado como um privilégio, não como um peso, uma obrigação, mas uma benção de Deus para sua vida.

Objetivos do discipulado

O DISCIPULADO É A TRANSFERÊNCIA DA VIDA DE JESUS DO DISCIPULADOR, PARA O DISCÍPULO (Pr Abe Huber)

  1. Servir ao discípulo, ajudando-o a subir os degraus da escada infinita do relacionamento com o Pai.

  2. Transferir a vida de Cristo ao discípulo, não apenas seu ensino, mas todo o seu modo de viver. (Rm 6.8-11, Fp 2.1-16).

  3. Preparar o crente para o serviço do ministério. Isto é, primeiramente, fazer novos discípulos (Mt 28.19-20), ou ainda o dar fruto que permaneçe (Jo 15). Também, porém, em segundo plano, para o exercício das atividades do ministério.

    Cristo chamou Paulo para ser o apóstolo dos gentios, todavia, Barnabé foi o discipulador de Paulo. Este preparou-o para o ministério apostólico e o apresentou como Apóstolo de Cristo diante dos demais apóstolos em Jerusalém, o que tendo verificado minunciosamente a Paulo, consideraram verdadeira sua vocação e assim como apto para o exercício do ministério.

  4. Formar testemunhas oculares do ensino e da vida do mestre.

    Seu discípulo será tão grande, quão grande for o mestre. (Pr. Marcos G. Nascimento)

  5. Formar substituto.

NÃO é objetivo do discipulado

  1. Ser um mecanismo para justificar o exercício de atividades ministeriais.
  2. Ser um consultório psicológico.
  3. Ser uma escola.
  4. Ser um estudo Bíblico.

Expectativas do discípulo para com o seu mestre

  1. Amizade sincera.
  2. Confiança.
  3. Que o ouça e o ajude a agradar a Cristo em todo o seu modo de viver.
  4. Ser preparado para o serviço do ministério.

Expectativas do mestre para com o seu discípulo

  1. Voluntariedade. Relacionamentos só se sustententam mediante disposição voluntária de andar lado a lado.

  2. Amizade sincera (Jo 15.15). Ninguém deseja passar tempo ao lado de alguém que não tenha estima, muito menos seguir seus passos. Se não houver amizade sincera, não há discipulado, tal relacionamento não passa de uma fraude.

    Nos impressiona a sensibilidade e familiaridade com que Paulo escreve sua carta aos Filipenses, chama-os de minha alegria e minha corôa (Fp 4.1). Oh! certamente que dos altos céus Deus se inclina para tais discípulos que derramam suas vidas como água aos pés de seus mestres tendo-os em na mais alta estima, não tem medo de enfrentar as dificuldades, proteger e participar de suas aflições. Eles sabem que Deus os vê e querem agradá-lo em tudo. Mas não era apenas os Filipenses, o Apóstolo Paulo escreve uma verdadeira poesia ao cooperador Filemon, dispensando até mesmo apresentação.

  3. Submissão (Jo 13.1, Hb 13.17).

    Discipulos que vivem questionando a orientação de seus mestres não são discípulos, pois julgam ser mais sábios que o mestre. Tais discípulos sempre colocam em cheque a orientação do mestre. Sempre comparar a posição do mestre com outra pessoa. “Você não está compreendendo”, “você não observou direito”, “se fosse desse jeito”, “talvez você não tenha compreendido claramente”, “eu assisti um pastor tal no youtube e ele dizia isso e aquilo”, esses são alguns dos argumentos de discípulos insubmissos. Discípulo que é discípulo está morto para suas vontades. Só os mortos verão a face de Deus. O reino dos céus é dos humildes, não dos arrogantes, dos questionadores. Miriã questionou a palavra de Moisés e por isso ficou leprosa. A filha de Saul, esposa de Davi questionou sua maneira de Adorar e imediatamente Deus a feriu com esterilidade. Aquele que não recebe o pequenino como embaixador de Cristo perdará o galardão do pequenino. Certamente tal discípulo terá sua vida travada em muitas áreas, simplesmente porque retém a benção de Deus que poderia vir através de seu mestre.

    Não estou dizendo que em momento algum o discípulo não deve averiguar se o mestre realmente está vendo a situação de modo real e até mesmo sugerir uma reanálise. Não, não é disso que estou falando. Estou falando de discípulos que questionam e comparam a visão de seu mestre o tempo todo. Ficam medindo se realmente o mestre tem autoridade e sabedoria para exercer seu papel.

    Se algum mestre tem um discípulo assim, saiba que ele vai esgotar seu ânimo e sua vitalidade, converse francamente e o libere do compromisso. Ele não é discípulo, precisa aprender a lição primeira do Reino de Deus, a humildade. Não deixe de interceder por ele, mas não o tenha como discípulo, mas sim como irmão. Interceda por ele, mas não dê o seu melhor a ele. Guarde o seu melhor para quem é discípulo. Jesus não despreza ninguém, mas Ele tem coisas especiais para discípulos submissos, gratos e fiéis. Lembre-se de Maria Madalena, nehum outro discípulo teve a intimidade com Jesus como ela, nem mesmo João, o discípulo amado. No dia da Sua ressurreição, Cristo nem havia ido ao Pai ainda, ela teve o privilégio de estar tão perto que Ele teve de impedi-la com ternura. Maria Madalena não deixou seu mestre nem estando morto. Em plena madruga, ainda escuro, ela rondava seu supulcro. O mestre não resistiu o amor de Maria para com Ele, Ele não foi capaz de ficar ali olhando o anjo falar com ela. Sim, não precisa, mas Ele teve de se apresentar pessoalmente a ela. Um verdadeiro discípulo encontrará fonte de bençãos inesgotáveis na vida de seu mestre.

    Se você é um discípulo e acabou de perceber que tem sido insubmisso, se arrependa imediatamente. Deus não tolera discípulos rebeldes. Se seu mestre colocar verdadeiramente essa situação diante de Deus, o Senhor vai voltar os seus olhos para ele e agir. Seja sincero com você mesmo e humilhe-se diante de Deus e do seu mestre, mude definitivamente a maneira como você tem tratado seu mestre imediatamente. Lembre-se da Rebelião de Corá (Nm 16).

  4. Gratidão. O discípulo grato vê o que é bom, e se lembra do que é bom e fala do recebeu cheio de alegria e regozijo. O igrato, não vê o que é bom, sempre procura uma falha em seu mestre e quando a encontra grita para que todos possam ouvir a falha de seu mestre e seu mestre caia em descrédito. Os ingratos serão destruídos como foram os judeus ingratos que saíram do Egito. (1Co 9)

    A unção que você respeita é a unção que você recebe. Sua gratidão é uma expressão de honra.

    (Autor desconhecido)

A responsabilidade do discípulo para com seu mestre

  1. Receber o discipulador como um pai, uma autoridade espiritual, como um amigo e investir no crescimento e amadurecimento dessa relação tão preciosa. No caso de o discipulador ser casado, receber a esposa do discipulador como uma mãe ou o discipulador como um pai.

  2. Orar por seu discipulador e sua família, por seus líderes, por sua célula.

  3. Não difamar ninguém nem partilhar de nenhum tipo de levante ou rebelião contra quaisquer um de seus líderes ou até mesmo contra um irmão.

  4. Ser amigo. Promover meios de comunhão para com seu discipulador.

  5. Ser amigo da família do discipulador e tê-los igualmente como sua família também. Que os familiares do discipulador tenham o discípulo como parte da família, e isso é uma conquista. A maneira como o discípulo trata o discipulador e sua família dará ao discípulo o privilégio de ser considerado um membro da família ou não.

  6. Estar pronto para servir.

  7. Fidelidade. O discípulo deve procurar fazer não o que acha, mas executar o desejo de seu mestre. Quando considerar uma opnião, deverá compartilhá-la com seu mestre e seguir fielmente suas intruções como um bom servo. O discipulo amigo e fiel terá atenção privilegiada de seu mestre. Pedro, Tiago e João eram amigos íntimos de Jesus, tiveram experiências que outros não tiveram, simplesmente por que eram amigos fiéis, estes não abandoram Jesus quando este precisou deles. Pedro entendeu que era para levar espada na noite da traição, foi ousado, sacou a espada e tentou matar o soldado Malco; João assumiu o cuidado da mãe de Jesus quando Ele morreu.

  8. Amar seu discipulador.

  9. Honrar seu discipulador publicamente. Sempre que tiver o oportunidade mencionar o nome de seu discipulador a importância dele na sua vida.

    1. Expresse sua gratidão publicamente, mesmo que ele não esteja perto. Faça isso de todo o coração. Tetemunhar o quanto Deus tem transformado sua vida por meio desse homem ou dessa mulher de te acolheu como um filho na fé.

    2. Outra expressão de honra ao discipulador é investir nele. Ajudá-lo nas limitações que for possível. Por exemplo: motivar o discipulador a ler e ajudá-lo a compreender aquilo que foi lido. Ajudá-lo em alguma tarefa simples, como uma mudança, uma carona, etc.

      Um dia o discípulo será velho e precisará que seus filhos o carreguem nos braços. Portanto, quando o discípulo vê seu mestre em dificultades deve esforçar-se por ajudá-lo, promover meios para alcançar isso. Mesmo que seu mestre esteja passando por momentos de aflição, angústia, perseguição, que seja o discípulo um alento para seu mestre. Mesmo que não se possa fazer aparentemente nada, é posível tornar menos angustiante, que seja por um minuto, a vida de seu mestre.

    3. O discípulo deve se esforçar por levar um lanche para compartilhar no momento do discipulado, aliás, sempre que for convidado para lanchar com alguém ou estar com algum grupo, como no caso da célula (quando não houver uma escala ou quando for visitar uma célula). Mesmo que seja algo simples como uma garrafa de suco ou refrigerante, um pacote de bolachas ou biscoito etc, sendo possível, não deixe de levar. A ideia é honrar a pessoa e o grupo que te convidou. Não estou ditando uma regra, todavia, é um bom costume. Insisto ainda em dizer que deve levar se for possível. A presença e o envolvimento com a pessoa ou grupo é mais importante que o lanche.

    4. Quando possível, presentes pode ser uma boa idéia, desde que esteja lado a lado com o amor sincero, a fidelidade, o serviço etc.

A responsabilidade do mestre para com o discípulo

O mestre é antes de tudo um servo (Jo 13) humilde (Mt 5.13).

  1. Promover a amizade e comunhão com o discípulo.

    1. A mesa é um lugar especial. Jesus tirou o máximo de proveito ao redor da mesa, principalmente nos momentos de refeição. A mesa não é só um lugar de refeição, mas na mesa as pessoas interagem, compartilham seus pontos de vista, filosofam etc. Tenha uma atrativo para a mesa, como um simples suco, uma fruta, etc. A mesa não é apenas dentro de casa, as vezes um sorveteria ou mesmo sob um pé de laranja. Jesus abriu uma mesa em um lugar deserto. Foi na mesa que uma mulher lavou os pés de Jesus com lágrimas, foi na mesa que Judas Iscariotes sair para trair seu mestre, foi na mesa que uma mulher derramou um caríssimo perfume sobre Jesus, foi na mesa da praia que Pedro foi restaurado. Muita coisa pode acontecer ao redor de uma mesa. Sentimentos são revelados, pecados são planejados, pessoas são curadas. Enfim, aproveite esse ambiente chamado mesa para transferir a vida de Cristo pro seu discípulo.
    2. Sair com o discípulo para um momento de refrigério é tanto uma ótima ideia como necessário. Tanto necessário quanto a oração. Pescar, jogar uma bola etc, pode ser uma boa ideia. Veja o que o seu discípulo gosta e leve-o com você. Divirtam-se. Discipulado é uma vida, não um trabalho. Isso traz refrigério tanto para o mestre quanto para o discípulo.
  2. Ser um modelo de Cristo para o Discípulo em tudo o que fizer, inclusive quando errar e seu discípulo estiver perto ou ficar ciente. O discipulador precisa ser humilde para compartilhar essa realidade com seu discípulo e até mesmo pedir a ele que o ajude em oração.

  3. Garantir o sigilo da vida do discípulo. Não compartilhar nada da vida do discípulo com ninguém, exceto quando se fizer necessário e o discípulo permitir.

  4. Ser um verdadeiro pai ou mãe espiritual para o discípulo. Promover de fato um ambiente familiar para ele. A primeira intituição que Deus criou foi a família e ela é fundamental para a formação da Imagem de Deus. Deus é Deus de família, não de indivíduo, Ele criou o homem para lhe ser por filho e Ele por pai. Abra a sua casa, sua cozinha, sua sala, seu carro. Tudo que você tem não tem valor se não for para fazer discípulos. Deus conta discípulos e não coisas e muito menos simpatizantes.

  5. Preparar o discípulo com “doses homeopáticas”. Cuidado com a intensidade do ensino. Discipulado não é uma faculdade, mas uma caminhada lado a lado. Caso contrário o discípulo irá desanimar ao invés de ser motivado.

  6. Não fazer do discípulo seu empregado, mas promover meios para a experiência prática de verdades compreendidas, ajudando o discípulo a superar suas limitações.

  7. Valorizar os talentos do discípulo, aproveitando sabiamente tais talentos observando sempre seu preparo para administrar sabiamente os talentos em prol do reino de Deus.

    Trago aqui um ponto extremamente importante. Há discipulados que são fachada para o exercío de atividades da célula ou Igreja Local, discipuladores irresponsáveis que não se importam com seus discípulos. Colocam eles como uma criança ao volante de um ônibus cheio de gente.

  8. Conhecer e promover meios para suprir as necessidades básicas do discípulo e de sua família. Ele tem falta de alimento? Está doente? está desempregado? etc.

  9. Ore e jejue continuamente pelo seu discípulo, seus sonhos, seus projetos, sua família etc.

  10. Amar seu discípulo como um filho gerado em seu próprio ser (Fm).

  11. Ser paciente com o discípulo. Ser muito paciente. O mestre e o discípulo são pessoas completamente diferentes. O discipulador é um ministro da vida de Cristo sobre o discípulo e não de sua própria vida.

  12. Ministrar continuamente sobre o discípulo as promessas de Deus para ele em todos os âmbitos de sua vida.

  13. Motivar o discípulo crescer como pessoa, na sua família, na suas relações inter pessoas, no intelecto. Crescer como profissional. Ser um filho/marido/pai/mãe/empregado etc de acordo com espectativade de Deus a seu respeito conforme as Escrituras.

  14. Promover seu discípulo (Fm).

  15. Prestar contas aos seus líderes e a Deus de tudo o que tem feito com seu discípulo.

Requisitos para ser um discípulo

  1. Lembre-se, o primeiro requisito é a humildade (Mt 5.3).

  2. Ser discípulo de Cristo.

  3. Ter sido consolidado (ver atigo especial sobre consolidação).

  4. Ouvir seus líderes espirituais como portadores da voz de Deus para sua vida.

  5. Querer ter um pai espiritual, um mestre, um discipulador e estar disposto a caminhar com ele. Não pode ser imposto. Ninguém tem o direito de impor. Jesus tinha discípulos não oficiais, não eram apóstolos, mas andavam com Jesus e o amavam, mesmo que invisíveis (At 1).

    O discípulo pode receber por mestre uma pessoa que ele não conhece ou simplesmente que ainda não tenha muita afinidade. Receber esse mestre é uma questão de decisão. O verdadeiro discípulo receberá esse mestre como um presente de Deus para sua vida e se dedicará a essa maravilhosa e extraordinária caminhada.

    Deus tem o mestre certo, para o discípulo certo, no tempo certo.

    Moisés P. Sena

  6. Ser comprometido com a visão da Igreja Local.

  7. Dispor de pelo menos uma hora semanal para encontrar-se com seu discipulador. O horário deve ser combinado conjuntamente para que seja em tempo disponível tanto do discípulo quanto do discipulador. Se não houver tempo regular para o encontro, o discipulado não faz sentido, pois discipulado é relacionamento. A troca do dia ou o cancelamento do dia deverá ser efetuado mediante planejamento com o discipulador ou aviso prévio, de forma que o discipulador não fique esperando e o discípulo simplesmente não apareça.

Conselhos

  1. O jovem apesar de seu fervor e ânimo da juventude, deve caminhar com os mais maduros na fé, para que possa ansiar pela maturidade e sabedoria (Pv 13).
  2. Quanto a crianças, adolescentes e jovens, os primeiros mestres devem ser os pais. O projeto de Deus está primeiramente focado na família. Se os pais são cristãos, devem discipular seu próprios filhos. Os pais devem ser preparados por seus mestres para isso, e urgente. A família é a primeira instituição terrena instituída por Deus e a responsabilidade de discipulado dos pais para com seus filhos antecede qualquer outra pessoa ou mesmo instituição, inclusive a Igreja (Dt 6; 1Tm 5).

Como se inicia um discipulado

  1. O novo convertido ou o recém chegado elege uma célula onde firmará relacionamentos e será pastoreado.

  2. Esse pastoreio (ou consolidação) tem como objetivo consolidar a conversão, levando a pessoa a ter plena consciência do Evangelho, sua necessidade de voltar-se inteiramente para o seu Criador tendo Cristo Jesus como único meio/caminho/mediador pelo qual o homem pode se aproximar de Deus e se relacionar com ele. Visto que o homem natural se opõe ao governo de Deus, estabelecendo-se como senhor auto sufiente, torcendo a verdade a fim de obter vantagem sobre tudo e sobre todos, “No Evangelho é revelada a Justiça de Deus, que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito ‘O justo viverá pela fé’.” (Rm 1.17). Obviamente a fé será manifesta em obras, ou seja, a fé que não se vê se manifesta mediante aquilo que se vê. A fé se manifesta na mudança de disposição da consciência, outrora o homem era seu próprio senhor e a este senhor buscava agradar, agora esse homem tem Cristo como seu único Senhor e humildemente a Ele se prostra e vive buscando agradá-lO com toda a sua vida, buscando valorizar aquilo que Ele valozira e desprezar aquilo que Ele despreza. Aqui se manifesta a amor ao próximo e à natureza, pois o homem é coroa da criação de Deus e este é responsável por proteger e promover o bem do próximo e da natureza, sendo o próximo mais valioso que a natureza. Veremos a seguir alguns pontos que devem ser observaados na consolidação:

    1. O crente aprende a se relacionar com o Pai por meio da oração e do jejum.

    2. Na consolidação o crente aprede a respeitar, honrar e servir a família na fé, as autoridades (pai e mãe, marido, autoridades seculares etc), inclusive espirituais, principalmente o consolidador, o líder da célula, o supervisor do setor e demais autoridades, incluindo os pastores, tendo-os como pais, avós (etc) espirituais —  de fato uma relação familiar. O crente aprende a valorizar as autoridades por aquilo que elas representam e não pela idade ou grau de capacidade intelectual que possuem, mas porque é Deus quem as institui, isso é para o nosso bem (Mt 10.40-42, Mt 18, Rm 13).

    3. O crente aprende a valorizar a célula, o TADEL, o culto de Celebração das Células, a Escola Ministerial e o discipulado. O consolidador, mediante uma vida examplar e dedicada ao Reino de Deus, leva o crente a ambiciar pelo conhecimento de Deus e pela manifestação de seu grande amor mediante tudo o que faz. Ele aprende a esperar e desejar andar lado a lado com Jesus e ter um discipulador. Ele vai orar por isso fervorasamente, pedindo a Deus que lhe dê um discipulador (um pai espiritual, um mentor) de que precisa. Tendo o consolidador como um pai ou uma mãe espiritual, o crente sabe que a consolidação é uma etapa, e essa etapa passa. Seu atual mentor (o consolidador) sempre terá o seu valor único, mas chegará o tempo em que um nova pessoa o abraçará com igual amor e lhe terá por filho. Do mesmo modo e intensidade com que ama, respeita, valoriza e serve ao consolidador, ele deverá dedicar ao novo pai espiritual quando esse tempo chegar.

    4. O crente também aprende que o exercício da autoridade é limitada. Tal limite é o Amor a Deus e ao próximo. Ele aprende a aplicar Mt 18 tanto no âmbito dos irmãos na fé quando ao relação ao consolidador, que no momente é sua autoridade espiritual imediata. O consolidador é não um independente, ele é discípulo, ele tem autoridade espiritual sobre ele. Esse crente deve portanto, desenvolver uma vida de oração, leitura e meditação das Sagradas Letras tendo, primariamente, o Espírito Santo como Autor e instrutor, para que possa julgar toda orientação que recebe de seus líderes. Sabendo que pessoas são diferentes e que o Pai se utiliza de pessoas para formar em nós a Sua Imagem, uma vez que essa Imagem não se manifesta na individualidade, mas na comunidade, no relacionamento amigável, humilde, honroso e respeitoso.

      Escrevo aqui com letras grandes a mensagem mais importante de Mt 18, a saber, PRESERVAR A UNIDADE, o que observa investir na restauração do irmão, perdoando-o sempre que ouver arrependimento e não perder o espírito de família. Todo pai pode falhar e, certamente falhará, mas ele nunca deixará de ser pai, mesmo que o filho seja retirado de perto dele. Cada instante que um crente investiu para edificar alguém como pedra viva da casa eterna de Deus tem o valor único e suficiente para que este último tenha uma dívida infinita de gratidão, amor e honra.

      Tenhamos como exemplo o relacionamento de Davi para com Saul (história completa) e Joabe e Davi (2Cr 21). Em tudo foram obedientes aos seus líderes, mas obediência sábia, não cega, mas completa e imediata para o que é certo e apropriada quando o líder estava cometendo um erro. Em todos os casos, os liderados fizeram tudo quanto podiam para proteger, não difamar, não destruir, mas restaurar seus líderes ao posto que lhes pertencia conforme Deus estabeleceu. Amou-os e foram obedientes a eles até o fim.

      Importa obedecer primeiramente a Deus e em seguinda aos homens. Quem obedece a Deus obedece aos homens exceto quando a orientação dos homens é diretamente contrária a orientação de Deus. Percebemos a exceção em 2Cr 21, ao passo que não encontramos justificativa para que Naamã dexasse de obedecesse a seu senhor (2Rs 5.17-19). Observamos portanto que de fato “… se há prontidão, a contribuição é aceitável de acordo com aquilo que alguém tem, e não de acordo com o que não tem.” (2Co 8.12). Deus conhece a motivação de cada pessoa na sua individualidade. Ele sabe dizer a motivação pelo qual alguém faz ou deixa de fazer algo. Se a disposição é correta, Deus aceita a pessoa com o que ela tem (Gn 4, Lc 21.1-4).

    5. Ajuste da visão. O novo convertido ou o crente recém-chegado irá conhecer a visão da Igreja Local e se ingressará na Escola Ministerial, para que tenha a sua visão ajustada.

      O crente que não teve sua visão alinhada com a Igreja Local irá quebrar a unidade. Pois não há como dois permanecerem juntos se não tem o mesmo propósito, se caminha para lugares opostos. Muitos líderes falham porque ignoram essa verdade e até chegam dar autoridade/ministérios a pessoas que desconhecem a visão ou simplesmente não concordam com ela. Delegar autoridade a essa pessoa, tornando-a um ministro, um líder, um exemplo para a Igreja, é uma questão de tempo e essa pessoa terá dificuldades com a Igreja Local, ao passo que será pedra de tropeço para aqueles que se espelham nela. Pessoas seguem pessoas. O líder irresponsável que rouba o direito do novo crente se tornar um com a Igreja Local é o único responsável pela vida deste e daqueles que seguiram seus passos.

    6. Compreender seu papel de sacerdote e seu papel como filho, marido/esposa, pai/mãe. O crente precisa ter uma noção básica porém muito clara sobre isso. Orar continuamente pela conversão deles e liberar palavras de bençãos sobre eles. Essa é a chave para que o crente realmente testemunhe da sua nova vida (Cristo) para seus familiares. Seu testemunho por meio de ações tem mais valor para toda a família do que suas palavras.

    7. Relacionamentos. O crente precisa aprender a se relacionar com todas as pessoas de maneira honrosa, carinhosa e respeitosa. Muitas pessoas tem o costume, por exemplo, de cumprimentar pessoas mais próximas com expressões como ‘e aí bicho?’, ‘e aí coroa?’ etc. Muitas expressões estão relacionadas com o meio em que essa pessoa vive e isso é até cultural, todavia se pararmos para observar, existem palavras e expressões que se liberadas darão à aqueles que nos ouvem uma sensação de valor que muitas vezes elas nunca ouviram de ninguém. Muitas pessoas próximas de nós nunca ou pouquíssimas vezes receberam um cumprimento carinhoso e honroso. Muitos nunca foram chamadas pelo nome verdadeiro e alguns até esqueceram-se de seus nomes. Deus o nosso Pai, conheçe cada pessoa pelo nome, alías, todas as vezes que Ele chama alguém ou fala a respeito de alguém Ele o faz pelo nome. Lembre-se do Salmo 139. Fomos salvos para ser abençoadores, assim como Cristo nosso Senhor, nosso mestre o era.

  3. O mestre escolhe seus discípulos ou o mestre superior faz a escolha:

    1. O mestre de Elias (Deus) estabelece para Elias quem seria seu substituto ()
    2. Jesus escolhe seus discípulos (Lc 6.12)

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